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The Sophs. Créditos: Eric Daniels

Entrevista: The Sophs lança primeiro álbum ‘GOLDSTAR’

Conversamos com a banda de Los Angeles sobre o início da carreira na música

O sexteto de Los Angeles The Sophs vem surfando uma onda de atenção desde que assinou com a Rough Trade Records, impulsionados pela força de seus demos – que eles enviaram por e-mail diretamente aos chefes do selo, Geoff Travis e Jeannette Lee, antes mesmo de terem tocado um único show. 

Após os lançamentos dos singles avulsos “I’M YOUR FIEND”,  “SWEAT” e “DEATH IN THE FAMILY”, além de uma extensa agenda de turnês pelo mundo, a banda lança nesta sexta-feira, 13, seu álbum de estreia, GOLDSTAR.

O disco pergunta: onde está a minha estrela dourada? Onde está a minha validação? Por que não estou sendo recompensado por quão boa pessoa eu sou? Estou fazendo mitzvás pelo motivo certo? A faixa-título – que se inicia com dedilhados no estilo flamenco – luta com a filosofia de realmente ser bom e com o que isso significa.

Conversamos com a banda sobre seu primeiro álbum. Confira na íntegra:

Mad Sound: Vocês assinaram com a Rough Trade Records simplesmente enviando um e-mail com suas demos para eles. Vocês fizeram o mesmo com outras gravadoras ou focaram especificamente na Rough Trade?

Ethan: Não, na verdade enviei uma demo para umas 30 gravadoras independentes diferentes, e a Rough Trade foi a única que me respondeu na época, mas eu acho que foi um bom negócio.

MS: E o que havia na sua banda, The Sophs, que fazia vocês sentirem que estavam criando algo especial?

Ethan: Acho que a qualidade da música e a forma como brincamos com os gêneros e a honestidade que conseguimos transmitir nas letras e na mensagem, é realmente especial e singular.

MS: As letras desse disco são bem diretas e vocês não suavizam o que querem dizer. Vocês usam a música como um veículo para expressar seus pensamentos pessoais ou gostam de criar um personagem?

Ethan: Acho que ambos. Acho que identifico uma parte de mim com a qual me sinto desconfortável, que considero desagradável, ou pego esses pensamentos e sentimentos sombrios e os transformo em um personagem e uma perspectiva para escrever. E acho que, ao fazer isso, é como um exorcismo, porque você escreve uma música sobre as partes de si mesmo com as quais não se sente necessariamente confortável. Algo como uma música torna tudo mais administrável porque agora tem um nome, um rosto, um rótulo, e é mais fácil compartimentalizar. Então é uma espécie de terapia.

MS: Quais foram algumas das coisas que inspiraram este álbum enquanto você o escrevia? Quais temas estavam presentes na banda e que ajudaram na composição?

Ethan: Acho que a busca por validação inspirou o disco. Acho que o uso e abuso de álcool inspiraram o disco. Acho que Los Angeles, com sua cultura de celebridades e seus altos e baixos, inspirou o álbum. E Los Angeles em geral, de uma perspectiva jornalística, observando as pessoas, também inspirou o disco.

Eu acho que Los Angeles é um ótimo lugar para quem quer se estabelecer na música, para absorver o que puder e depois ir para outro lugar, se estabelecer em outro lugar. Como um sanguessuga em um lugar diferente. Acho que Los Angeles é… E só posso falar sobre a cultura dos imigrantes, obviamente, porque existem muitos enclaves culturais incríveis lá. Pessoas que nasceram lá, imigraram para lá, que fazem da cidade o que ela é, mas como músico independente, só posso comentar sobre outros músicos independentes e aqueles ao redor deles. E, ao fazer isso, acho que há muita superficialidade. Há muitas pessoas tentando transformar a música em um empreendimento corporativo em vez de preservar sua integridade, e isso se torna desgastante depois de um tempo.

MS: Este é o primeiro álbum de vocês. O que vocês aprenderam uns sobre os outros e sobre o processo criativo da banda enquanto compunham este álbum?

Sam: Na verdade, isso meio que reforçou o que eu já sabia sobre todos: que todos são ótimos amigos. Todos são ótimos companheiros. Todos são músicos excepcionais. E viajar com todos e fazer shows, sabe, há momentos em que tudo simplesmente se encaixa e é muito divertido tocar e estar perto de todos.

Ethan: Este álbum mudou nossas vidas. Nós o tínhamos pronto antes de assinarmos com a Rough Trade, e as músicas deste álbum são o motivo pelo qual assinamos. Então, devemos tudo a ele.

MS: Quais foram algumas das suas referências e influências para este álbum? 

Ethan: Estávamos ouvindo muito Bright Eyes, muito Tom Waits, Billy Childish, Howlin’ Wolf, muita música russa. Honestamente, eu também estava ouvindo muita música russa. Tenho uma playlist enorme no meu celular cheia de músicas russas antigas do século XX. E eu realmente não entendo uma palavra delas. Não falo russo, nem tenho muita vontade de aprender, mas acho a maneira como eles trabalham a melodia muito legal, e tentamos incorporar alguns elementos disso.

MS: O que vocês três estão ouvindo na playlist agora?

Cole: Ultimamente tenho ouvido bastante Elliot Smith. Conforme o tempo esfria, sempre acabo me afundando, sabe, meio que no folk mais alternativo. Mas sei lá. Ouço muito Beatles e Beach Boys.

Ethan: Tenho ouvido bastante esse artista irlandês, Joshua Burnside. Ele vai lançar um disco esse ano. Ele e também Fionn Reagan, outro cantor folk irlandês. Um pouco de T. Rex.

Sam: Tenho ouvido bastante música clássica. No momento, estou adorando um compositor chamado Alexander Scriabin. Acho ele simplesmente incrível. A maneira como ele compõe é fantástica, mesmo que tenda um pouco à atonalidade. Adoro Schönberg. Adoro Paul Hindemith. É, esses são alguns que me vêm à mente agora.

MS: Vocês estão realmente no começo da jornada da banda, e ainda há um longo caminho a percorrer. O momento atual de vocês tem atendido às suas expectativas sobre como seria ser uma banda?

Ethan: Superou tudo [o que esperávamos]. Sinto que nos damos muito bem. Viajamos bastante. Recebemos notícias boas o tempo todo da nossa gravadora, o que nos deixa muito felizes. Nós bebemos muito, nos entregamos à libertinagem com frequência e compomos muita música. E acho que tudo isso junto cria a experiência elevada da banda.

Cole: É quando as coisas estão fluindo, sabe? Quando as coisas estão fluindo, é divertido e é difícil parar. Você quer continuar para sempre, e eu espero que possamos.

MS: Vocês estreiam sua primeira grande turnê agora em 2026. Então, para onde vocês querem ir a partir daqui? Quais são seus maiores sonhos e aspirações?

Cole: Brasil! E para mim, o Japão também.

Ethan: Sim, Japão, Brasil e Índia.

Cole: Índia. Eu adoraria ir para a Índia.

MS: Tenho certeza que vocês já ouviram falar disso, mas é quase um evento canônico para todas as bandas e artistas do mundo ter pessoas nas redes sociais dizendo: “Come to Brazil”.

Cole: Sim. Adoro essa piada!

MS: Vocês já recebem esses comentários?

Ethan: Recebemos “Venha ao Japão” acima de tudo.

Cole: Você sabe que chegou lá quando começa a receber um monte de… “Venha para o Brasil”.

MS: Vocês têm planos de vir? 

Ethan: Se tivermos a oportunidade, adoraríamos ir. Acho que isso depende dos nossos agentes, mas adoraríamos curtir o Brasil e tocar para esse povo maravilhoso.

Cole: Sim, todos nós amamos o Brasil.

MS: Que ótimo! Além de fazer turnês, quais são os seus maiores sonhos e aspirações para os próximos passos?

Ethan: Acho que o simples fato de podermos viver uma vida sustentável baseada apenas na música já é algo incrível. E acho que para nós seis, sabe, se conseguirmos nos sustentar, não só nos sustentar, mas viver uma vida decente financeiramente, socialmente e criativamente, tudo graças à música, acho que é assim que você sabe que chegou lá.

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