No último final de semana, mais exatamente no domingo, 27 de setembro, o DIIV se apresentou no Balaclava Fest. Depois do show, tivemos uma rápida oportunidade de conversar com os integrantes da banda, e a troca, curta e direta, rendeu respostas que ajudam a entender o momento do grupo.
O nome do novo álbum do DIIV, ZIRP!, vem da sigla em inglês para políticas de juros zero. O material de divulgação fala em startups fracassadas e em “usuários” atomizados. O anúncio do disco veio acompanhado de uma linha telefônica que imita uma abordagem de telemarketing. Perguntada sobre como essa crítica à tecnologia e ao consumo foi parar na música, e por que tratá-la com humor, a banda responde sem rodeios: o assunto é maior que o disco.
Segundo um dos integrantes, muitas das canções falam do colapso social do império norte-americano, e o retorno de investimentos e instituições a um modelo de capitalização seria parte importante dessa história. Para ele, o humor funciona como mecanismo de cura. Os “senhores da tecnologia”, diz, são transparentes quanto às próprias intenções, estão integrados à forma como as pessoas se comunicam por meio das redes sociais e vivem publicando planos que beiram o absurdo. Rir deles, portanto, não chega a ser rebeldia. É uma forma de não se sentir impotente diante de algo tão presente no cotidiano. “Os Estados Unidos estão passando por um ritual de humilhação”, resumem, e é fácil se divertir com isso.
A segunda pergunta muda de cenário: o estúdio. A. G. Cook, conhecido como produtor pop e ligado a nomes como Charli xcx, ficou obcecado com o som ao vivo do DIIV e insistiu em gravar a bateria antes de a maioria das músicas estar pronta. Para uma banda de guitarras, abrir mão desse controle poderia ser desconfortável. A resposta, no entanto, começa por desfazer o rótulo. Pensar em Cook como produtor pop, conta o músico, soa estranho a quem o viu trabalhar: muitas vezes ele criava os sons mais perturbadores, distorcidos e agonizantes. Havia um vocal ou uma melodia bonita, e ele a levava para um território áspero.
Em outros momentos, o movimento era inverso. Cook empurrava o grupo para o pop, pela simplicidade e pela objetividade. E, em seguida, se rebelava contra esse mesmo instinto. Para o integrante, essa tensão entre o direto e o desfigurado é a mesma que sempre existiu nas músicas do próprio Cook: um contraste permanente.
É nesse contraste que ZIRP! parece se situar. De um lado, um disco que olha para um mundo de promessas vazias e interfaces que tratam pessoas como usuários. Do outro, uma banda que escolheu responder com ironia e com um produtor capaz de alternar entre a melodia limpa e o ruído. A conversa não entrega respostas fechadas, e talvez seja por isso que ela soe honesta: diante do absurdo, a saída possível foi continuar fazendo música, e rindo um pouco.
No palco do Balaclava Fest, o DIIV apresentou algumas das novidades que estão por vir, e o público recebeu bem as canções novas. Agora nos resta aguardar até o dia 30 de outubro para ver o que mais vem por aí.
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