Hollow Coves é um duo australiano de indie-folk formado por Matt Carins e Ryan Henderson, músicos e vocalistas que dividem a composição e os vocais de acordo com a essência de cada canção.
Radicados na Gold Coast, eles constroem uma sonoridade marcada por violões acústicos, harmonias etéreas e letras introspectivas que exploram temas como natureza, pertencimento, esperança e conexão humana. Desde o EP de estreia Wanderlust (2017), o grupo vem se destacando pela honestidade emocional e pela capacidade de transformar experiências pessoais em músicas contemplativas e acessíveis.
Com os álbuns Moments (2019) e Blessings (2021), o Hollow Coves ampliou seu alcance internacional, impulsionado por faixas como “Coastline”, certificada Ouro na Austrália e no Canadá, e pelo reconhecimento da imprensa especializada. Em 2024, o duo lançou Nothing To Lose, trabalho que reforça a valorização do presente em meio às pressões da vida digital. Agora, a banda fez sua estreia no Brasil, com shows em Curitiba (19/01), Belo Horizonte (21/01), Rio de Janeiro (23/01) e São Paulo (24/01), consolidando a forte conexão construída com o público ao longo dos anos.
Em entrevista ao Mad Sound o duo falou sobre o processo de composição, a energia das músicas e opinou sobre algumas músicas brasileiras.
Mad Sound: O álbum ‘Nothing To Lose’ fala sobre valorizar o agora em meio ao excesso digital. Em que momento vocês sentiram essa necessidade de desacelerar e olhar mais para o presente?
Hollow Coves: Eu acho que onde nós vivemos, na Austrália, especialmente na nossa comunidade e nos nossos amigos, nós somos bem intencionais em nos empurrar contra a cultura de sermos ocupados, de nos esforçarmos o tempo todo. Nós tentamos tomar o tempo de ir à natureza, de andar de bicicleta, de se divertir na praia o dia todo. Passar tempo na comunidade, sentar em um café por horas e não fazer nada.
Eu acho que é a forma como nós vivemos. Nós começamos a escrever sobre esses temas e eu acho que quando vemos a forma como o mundo está indo e as pessoas estão constantemente procurando a próxima coisa para entretê-las, acessando as redes sociais ou o que for… Nós queremos escrever música que encoraje as pessoas a lutar contra essa cultura e viver de uma forma que acreditamos que é melhor.
MS: Como a pressão das redes sociais e da vida online impactou o processo criativo do disco e como vocês transformaram isso em uma mensagem mais positiva?
HC: É uma questão difícil porque você está cercado por redes sociais e é forçado a fazer isso. Nós não amamos a mídia social tanto, mas temos que fazer isso. Então, eu acho que, sim, nós só queremos nos dar conta de que há outras coisas que você pode fazer para viver sua vida de uma forma boa.
MS: A conexão com o público aparece como parte essencial dessa “vida bem vivida”. O que vocês aprenderam com os fãs que ajudou a construir essa mensagem?
HC: Eu acho que, quando a gente lançou as músicas, era só sobre viajar e apreciar o tempo na natureza. E recebemos tantas mensagens de fãs dizendo que isso realmente ajudou. E até pessoas dizendo que lutam com problemas de saúde mental e ouvir nossas músicas foi a coisa que os levou a sair desse lugar. E nós nunca tínhamos isso em mente inicialmente quando estávamos escrevendo música.
Nós apenas escrevemos músicas sobre, não pensamos muito, mas após receber essas mensagens de fãs, pensamos que tínhamos a oportunidade de falar sobre a positividade nas vidas das pessoas. É uma posição privilegiada para tentar ajudar as pessoas por meio das palavras que escrevemos nas músicas, que fazemos ou o sentimento que podemos criar por meio da música. Então, fomos um pouco mais intencionados, após receber essas mensagens, para tentar criar algo que tenha um impacto positivo nas vidas das pessoas.
MS: Vamos mostrar alguns artistas brasileiros, e você podem dizer sua opinião?
Novos Baianos – “Brasil Pandeiro”
HC: Nós escrevemos uma música sobre a cor do cabelo dela. [Referindo-se à música “Purple”, e a cor de cabelo da Baby do Brasil].
MS: AnaVitória – “Pupila”
HC: Lembra-me da música “Hey There Delilah”, do Plain White T’s. É muito positivo, elevador, boa vibe. Ela está dançando, que é bem legal.
MS: Charlie Brown Jr – “Ela vai Voltar”
HC: Parece Green Day e Blink-182.
MS: Tim Maia – “Que Beleza”
HC: Eu gosto disso. O que é aquele instrumento? É tipo uma pequena campainha. O acorde é muito popular.
MS: O que vocês acham dessas músicas?
HC: Eu acho que todas são muito diferentes. Boa energia, energia positiva. Você pode dançar com ela.
MS: Após a turnê, quais os próximos planos do Hollow Coves?
HC: Estamos escrevendo um álbum no momento. O nosso álbum número um. O melhor álbum que já foi escrito. Esse é o plano principal, mas… Vamos ver como vai ficar.
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