Josh Homme tinha 13 anos quando começou o Kyuss, em Palm Desert, na Califórnia. A banda acabou em 1995, e a pergunta sobre uma volta o acompanha desde então. Em entrevista em vídeo ao Heavy Consequence, divulgada nesta quarta-feira (7), o líder do Queens of the Stone Age falou sobre esse retorno e sobre o de outro projeto, o Them Crooked Vultures. Nos dois casos, não fechou a porta.

O supergrupo depende de Dave Grohl

O Them Crooked Vultures reuniu Homme, Dave Grohl (bateria) e John Paul Jones (baixo e teclados). O trio estreou ao vivo em 9 de agosto de 2009, no Metro, em Chicago, e lançou um único disco, homônimo, em novembro daquele ano. O álbum entrou na 12ª posição da Billboard 200, e “New Fang” rendeu ao grupo o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock, em 2011.

Depois disso, o projeto ficou parado. A exceção foram dois shows em setembro de 2022, em homenagem ao baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, em Londres e em Los Angeles, com Greg Kurstin nos teclados.

Homme disse que gostaria de repetir a experiência e que acredita que Jones e Grohl também. Fez questão, porém, de transferir a decisão: segundo ele, juntar o grupo não é tarefa sua, e sim de Grohl. Em conversa anterior, o próprio Grohl havia brincado que o trio ensaia uma vez por década e que sempre há algo em andamento, sem confirmar nada.

Kyuss: o peso da memória

O caso do Kyuss é mais delicado. Homme afirmou que pensa muito no assunto e reconheceu que o legado da banda foi manchado em algum momento, sem entrar em detalhes. Para ele, a conversa deveria girar em torno da música, e o resto não importa.

Ele também lembrou de uma regra pessoal: nada de reuniões, nada de continuações. A banda nasceu quando ele era adolescente, e as lembranças daquele período são, nas palavras dele, bonitas. Voltar a algo que aconteceu aos 15 anos, ponderou, pode ser estranho. Por outro lado, diz valorizar o fato de os fãs terem assumido a guarda do legado do Kyuss, algo que considera raro. Daí a hesitação que resume em uma frase: “Eu só não quero estragar isso”.

A referência de Homme à disputa tem origem conhecida. Depois do fim do Kyuss, em 1995, o vocalista John Garcia e o baterista Brant Bjork retomaram o repertório em 2010 e 2011 sob o nome Kyuss Lives!, sem Homme. Em 2012, Homme e o ex-baixista Scott Reeder entraram com uma ação federal contra os dois por violação de marca e fraude ao consumidor. Em agosto daquele ano, a decisão judicial pesou, em parte, a favor de Garcia e Bjork. Os dois lados trocaram acusações publicamente, e a briga acabou sendo mais um capítulo triste para os fãs, como o próprio Homme havia dito na época.

O que vem pela frente

Por ora, o foco está no Queens of the Stone Age. A banda lança Perfecth, seu nono álbum, em 30 de outubro, pela Matador. São nove faixas, produzidas por Homme e pelo baixista Michael Shuman, gravadas entre Nova Orleans e Los Angeles. O disco sucede In Times New Roman…, de 2023, e já tem dois singles: “Easy Street”, com Nikki Lane, e “Insignificant Other”, que Homme descreveu como uma canção sobre distância. O título vem de uma palavra que o músico quebrou de propósito: para ele, “perfect” nunca foi honesta.

No dia 16 de novembro, segundo o Consequence, Homme também sobe ao palco em um show beneficente com Jack Black, “Weird Al” Yankovic e Beck, entre outros nomes.

Se Kyuss ou Them Crooked Vultures voltam, Homme não sabe. A resposta dele, dita sem pressa, é a de quem protege uma memória que, em boa parte, já não pertence só a ele.

Categorias: Notícias

Nascida na Argentina mas radicada no Brasil há mais de 15 anos, Daniela achou na música sua linguagem universal. Formada em radialismo pela UNESP, virou pesquisadora criativa e firmou seu pé no jornalismo musical no portal Popload e na Rolling Stone Brasil. Gateira, durante a semana procura a sua próxima banda favorita e aos finais de semana sempre acha um bom show para assistir.