Em Paradises (2026), Ladytron retorna com elementos ainda mais modernos, letras emocionalmente carregadas, mas sem perder sua principal marca: a característica batida que embala pistas mundo afora há quase três décadas. Após o relançamento do icônico Witching Hour (2005), o trio composto por Helen Marnie, Mira Arroyo e Daniel Hunt decidiu ousar e compor o álbum mais longo de toda a sua carreira.

Com 1h17 de duração e 16 faixas, Paradises não é exatamente um disco conceitual. No entanto, ele conta com uma infinidade de detalhes que são descobertos a cada nova audição realizada, tornando o trabalho extremamente denso e imprevisível. O álbum ainda se destaca por suas letras introspectivas em meio a melodias eletrônicas e dançantes. 

Uma delas chama atenção por conta de seu forte título: “We Wrote Our Names in The Dust”. A letra navega pelas incertezas da vida cantando que “ninguém sabe o que acontecerá conosco” e usando a imagem de “escrever nomes na poeira” como uma metáfora para a efemeridade. Sobre a ideia da música, Daniel contou ao Mad Sound

“Ela fala sobre uma experiência da minha infância. Em 1986, aconteceu o desastre nuclear em Chernobyl. Na época não sabíamos, mas toda aquela poeira de césio radioativo veio em uma nuvem sobre o norte da Inglaterra e a Escócia. Como havia um tipo de bloqueio de notícias, não sabíamos de nada. A poeira cobriu todos os carros. Quando íamos para a escola de manhã, escrevíamos nossos nomes nessa poeira branca que estava sobre eles. Só anos depois fomos realmente descobrir do que aquilo realmente se tratava. A ideia da música começou daí, mas ela não é sobre isso.”

A regionalidade do disco também se destaca, especialmente pelas músicas terem sido compostas entre 2 países específicos: Inglaterra e Brasil. Essa combinação resultou em faixas como “A Death in London”, “A Life in London” e a 100% brasileira “Heatwaves”, se encaixando como um interlúdio para a reta final da audição. 

Num momento em que a música sofre uma ameaça artificial, Ladytron se mantém firme como um veterano, sem precisar recorrer a meios externos para fazer uma boa música pop. Com um som futurista, orgânico, urgente e humano, o trio inglês continua suas diversas experimentações, abraçando a modernidade, mas mantendo a nostalgia. Para o ouvinte, a mensagem de Paradises é: pegue seu melhor fone de ouvido, encontre um lugar confortável, feche os olhos e se prepare para uma viagem sensorial e imersiva.  

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