Nascido no Texas, o cantor Dave Fenley transformou-se em um verdadeiro fenômeno do country após conquistar dezenas de milhões de visualizações ao redor do mundo e se tornar viral com covers de músicas como “Grandpa” e “Stuck On You”.
Com a habilidade de mesclar a tradição de seu estilo com a carga emocional do R&B e do soul, o artista consolidou sua imagem com participações de peso em reality shows: foi semifinalista do America’s Got Talent e integrou o time do astro Blake Shelton no The Voice.
Agora, para que sua música alcance novos públicos e o desvincule do rótulo de “cantor de covers”, Dave lança em 08 de maio seu novo álbum, Rest of My Life. Com 11 faixas, o trabalho destaca a potência e a versatilidade vocal do músico, marcando seu desejo de ser reconhecido também por obras autorais que falam sobre amor e estabilidade na vida.
Em entrevista ao Mad Sound, o cantor explicou sobre a mensagem que deseja passar com o disco, seus covers virais, a experiência obtida em participar de reality shows musicais e mais. Dave ainda afirmou estar aprendendo português por meio de músicas e que planeja vir ao Brasil em 2027. Leia na íntegra.
Mad Sound: O EP Ever Since You Turned Me On pareceu um ponto de partida para este novo álbum e para esta nova fase da sua carreira. Qual foi a principal mensagem que você quis transmitir antes de lançar este novo disco?
Dave Fenley: Acho que lançamos várias músicas para tentar mostrar às pessoas que estou em transição. Estou deixando de ser a pessoa que eles conheciam como um cantor de covers para me tornar alguém com minha própria voz, minhas próprias coisas para dizer e meu próprio lugar na vida. Eu quis lançar um álbum completo para que elas possam, se Deus quiser, me acompanhar nessa jornada do cara que canta covers para alguém que canta música autoral. Estamos muito empolgados com o rumo que as coisas estão tomando, parece que as pessoas estão realmente interessadas.
MS: Você descreveu a faixa-título do novo álbum, Rest of My Life, quase como um juramento ou devoção a si mesmo. Olhando para o álbum como um todo, você o vê como um projeto conceitual sobre estabilidade e amor maduro, ou aquele lado selvagem de Pocket Full of Dirty Deserts ainda vive nele?
DF: Eu acho que como agora sou pai e casado, tento ser um bom marido e um bom pai. Muitas das minhas músicas agora parecem mais sobre um amor adulto, em vez daquela criança selvagem que eu era há muito tempo. Eu realmente amo esse papel. Amo ser pai, marido, cristão e criar minha filha dessa forma. Saber que tudo o que eu lanço agora minha filha vai ouvir daqui a dez anos. Quero que ela entenda que sou um homem bom, além da pessoa que ela vê em casa. Pretendo lançar músicas boas e coisas que espalhem amor pelo mundo.
MS: Como você disse, você é muito famoso por covers virais. Canções como “Stuck on You” e “Grandpa” alcançaram dezenas de milhões de visualizações e viralizaram no YouTube. Na sua opinião, qual é o segredo para fazer um cover ressoar nesse nível?
DF: Eu gostaria de saber qual é o segredo, eu faria isso de novo (risos). Sinto que tive muita sorte, mas para mim, foi escolher músicas que eu realmente amo. Quando as canto, consigo me colocar no lugar da pessoa que está entregando a mensagem com integridade e honestidade. Acho que as pessoas na internet hoje em dia estão sedentas por isso. Especialmente com coisas como IA e tudo mais por aí, e buscam por algo autêntico. Então, acho que a forma como interpreto as músicas que tanto amo é com amor, e as pessoas são atraídas por isso. Espero que elas me sigam nas autorais também.
MS: Músicas como “Learn to Be Lonely” tocam em temas sensíveis. Qual é a história mais impactante que você já ouviu de um fã que se conectou profundamente com sua música?
DF: Muitas coisas tocantes. Já tive pessoas que usaram músicas escritas por mim em um funeral de um ente querido que perderam. E também ouvi pessoas dizerem que minha música é tão calmante que a usam para fazer seus bebês dormirem. Aqueles que não param de chorar, gritar e são crianças difíceis e usam minha música para acalmá-los. Acho que esse é um dos maiores elogios que alguém poderia me fazer? que minha música é curativa, ajuda e traz paz para uma mãe. É realmente especial.
MS: Recentemente você fez alguns shows sob o nome de TRIO Project. Pode me contar como foi essa experiência?
DF: Com certeza. É uma das minhas coisas favoritas. Eu sempre fui um artista solo. Quando tive a oportunidade de começar a montar uma banda, dissemos: “vamos começar com duas pessoas e ver no que dá”. Foi um experimento, mas aprendi a amá-los tanto e eles são tão talentosos. Tenho uma moça [Gabriella Laberge] que toca violino, bandolim, piano, guitarra e canta lindamente.
E tenho outro cavalheiro [John Antony Gagnon Robinette]que toca guitarra, steel guitar, pedal duplo, piano e também canta incrivelmente. Nós nos tornamos amigos queridos, família, e amamos criar música juntos. Estou ansioso para expandir isso, porque estamos prestes a adicionar bateria, baixo e outro guitarrista para construir uma banda bem grande para a temporada de festivais.
MS: Muita gente diz que seu estilo, tanto na composição quanto na entrega vocal, lembra o Chris Stapleton. Como você imagina que seria uma música escrita pelos dois? Isso é algo que poderia acontecer no futuro?
DF: Nesta vida, eu nunca sei o que esperar. Tudo nela parece meio que um filme. Então, nunca sei qual oportunidade virá a seguir. Tem sido tão divertido que eu diria que, se o Chris Stapleton me ligasse e dissesse “vamos fazer uma música juntos”, eu não ficaria surpreso, porque é apenas mais uma parte da vida que parece acontecer. Sinto que entreguei minha vida e meu amor a Cristo e ele coloca oportunidades na minha frente. Eu apenas agradeço muito pela vida que tenho.
MS: Você participou de reality shows como America’s Got Talent e The Voice. Qual foi a maior lição que você tirou dessas experiências?
DF: Acho que ser honesto, humilde e respeitoso. Você está em um programa de TV e talvez tudo o que veja seja uma câmera, mas há milhões de pessoas do outro lado dessa câmera assistindo. Aprendi que as pessoas estão sempre observando. Nesta era da internet, as pessoas estão prontas a todo momento para te flagrar fazendo algo bom ou ruim e postar online. Então, quero me representar bem, caso minha filha veja algo que eu fiz daqui a dez anos. Quero que ela saiba que eu fui uma boa pessoa o tempo todo. O máximo que eu pude ser. Acho que isso me mostrou como se portar de forma positiva e como um impacto positivo pode ajudar os outros.
MS: Falando em positividade, seu lema “espalhe amor como manteiga de amendoim” parece especialmente poderoso hoje, já que vivemos em um mundo digital tão negativo. Como você lida pessoalmente com isso e protege sua mentalidade?
DF: Muita coisa vem da fé no meu Senhor Jesus. Sendo criado na igreja e como cristão, quando os tempos estão difíceis, eu posso olhar para ele e abrir a Bíblia. Esse tipo de coisa ajuda muito. Mas também, agora sendo pai, posso apenas olhar para minha filha e eu sei o que é o amor. Sei o que é certo e errado. Quando vejo o mundo sendo feio, não preciso participar disso. Posso sempre representar o bem para minha filha.
MS: Recentemente, vimos grandes artistas do pop e hip-hop, como Post Malone e Beyoncé, lançarem projetos de Country e dominarem as paradas. Como você acha que isso ajuda a expandir o estilo e atrair novos fãs?
DF: Sabe, acho que há muito acesso a tudo, há espaço para todos. Eu amo quando as pessoas fazem coisas que parecem estranhas, novas e empolgantes. Eu amava a carreira do Posty quando ele era um artista de Hip-Hop e Rap, e amo ainda mais agora que ele está fazendo country. Acho muito divertido. O mesmo com o Jelly Roll. É legal quando você pode ser quem você é e quem deseja ser, e que a “caixa” onde o mundo tenta te colocar não te restrinja. Eu amo country, R&B, hip-hop e, quem sabe no futuro, possa lançar uma música de hip-hop. Eu amo o fato de que, se eu quiser, eu posso.
MS: Eu sempre pergunto aos músicos sobre IA, porque é um tópico muito discutido agora e gera sentimentos mistos. O que você acha da IA na música?
DF: Acho que é uma ferramenta fantástica. Eu a usei neste disco, na verdade. Uma das músicas que escrevi, chamada “One Hell of a Fire”, era 100% uma música country. Eu a escrevi assim. Mas, quando começamos o álbum, ele parecia um disco mais soulful. Eu queria muito essa música no álbum, então a colocamos na IA e perguntamos: “o que aconteceria se essa música tivesse uma pegada soul?”. E ela gerou uma versão incrível que eu nunca tinha pensado, porque eu estava preso à minha própria composição country e não conseguia “desaprender” para pensar em um novo jeito.
A IA ajudou a criar uma nova forma de eu cantá-la, e usamos esse formato para gravar a música. Se usada como ferramenta, é incrível. Não gosto muito dos “artistas de IA”, porque me parece muito falso. Mas há alguém por trás disso usando criatividade para criar. Enfim, não sou bom em falar mal das pessoas ou das coisas, mas direi que a tecnologia, se bem utilizada, pode ser extremamente útil. Mas também tem a capacidade de causar danos, com certeza.
MS: Aqui no Brasil, temos uma cultura de country e rodeio muito forte, com grandes eventos como Barretos, e um público crescente de country tradicional americano. Você já teve curiosidade de explorar nossa cena e ouvir artistas brasileiros?
DF: Na verdade, sim. Eu gostaria de lembrar os nomes dos artistas que ando ouvindo, me pegou de surpresa agora, mas tenho ouvido alguns. Estou tentando aprender a cantar um pouco em português. É uma língua linda. É difícil, mas muito legal de cantar. Foi assim que aprendi um pouco de francês viajando por Quebec: aprendendo músicas em francês e pegando um pouco do idioma. Planejo fazer o mesmo com o português quando for ao Brasil. Quando eu for me apresentar aí, quero saber pelo menos um pouco da língua através da música.
MS: E quais são os próximos passos da sua carreira após o lançamento de Rest of My Life?
DF: Provavelmente já começar a escrever o próximo álbum. Tem sido tão divertido esse processo com a minha gravadora que, embora viajar e fazer turnês seja ótimo, eu também amo a parte criativa. Tenho tanto a dizer. e agora que as pessoas estão começando a ouvir, quero garantir que elas continuem ouvindo. Então, já vou começar a trabalhar no próximo.
MS: Você estava programado para fazer três shows no Brasil em março, mas eles acabaram não acontecendo. O que levou ao adiamento e existem planos para reagendar essas datas em breve?
DF: Com certeza. Estou olhando para 2027. Tínhamos os três shows marcados, mas percebemos que queríamos ter mais datas. Foi difícil, em cima da hora, encontrar outras cidades e datas que se encaixassem, porque eu não quero chegar e precisar voltar depois. Gostaria de fazer o máximo de shows que puder em uma viagem só. Como sabíamos que o álbum sairia agora, queríamos ter um disco novo para a turnê. Então, esperar o lançamento de Rest of My Life ajuda na hora de reservar as casas de show para 2027. Esperamos que, em vez de três shows, possamos fazer sete ou oito em um período de duas semanas. Acho que isso maximizaria minha primeira viagem ao Brasil.
MS: E o que podemos esperar de Rest of My Life?
DF: Eu só espero que soe familiar. As pessoas provavelmente vão chegar ao álbum por causa dos covers, e se elas gostaram do que fiz com as músicas dos outros, espero que amem o que fiz com a minha própria música. O objetivo é que as pessoas não pensem em mim apenas como o cara dos covers, mas como um artista autoral também. O que elas podem esperar sou eu. Se elas passarem a me conhecer e me amar pelo que sou, então vão amar este disco tanto quanto eu.
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