Texto e entrevista por: Brunno Salgado

Dando sequência ao impulso de seu aguardado retorno no início deste ano, marcado pelos singles “Wait” e “River Of Tears”, a dupla britânica Seafret eleva ainda mais seu som em uma colaboração especial. Unindo forças com a icônica cantora e compositora KT Tunstall, o duo apresenta seu novo e comovente single, “Five More Seconds”, uma faixa que mescla com maestria a identidade musical de duas gerações do folk britânico e explora a importância de lutar pelos momentos que realmente importam.

Para a alegria dos fãs brasileiros, essa nova fase da banda poderá ser celebrada ao vivo e em grande estilo. O Seafret tem uma apresentação única e muito aguardada marcada em São Paulo para o próximo dia 24 de agosto. 

Em entrevista ao Mad Sound, a dupla não escondeu a empolgação com o retorno, descrevendo a energia do público no Brasil como uma “festa gigante” e uma das melhores do mundo. A promessa é de uma noite inesquecível, onde o público paulistano terá o privilégio de ser um dos primeiros a ouvir, em primeira mão, algumas das canções inéditas que farão parte do próximo álbum da dupla.

Mad Sound: A colaboração com Kate Tunstall em “Five More Seconds” une duas gerações do folk britânico. Como essa parceria surgiu e como foi o processo criativo para unir suas identidades musicais distintas em uma única faixa?

Harry: Nós conhecemos a Katie há uns doze anos, no Sundance Film Festival, em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Estávamos fazendo um pequeno show lá, e imagino que ela também estivesse se apresentando. Ela veio assistir ao nosso show e depois nos disse que adorou. Basicamente, mantivemos contato desde então pelo Instagram. A cada poucos anos, trocávamos mensagens. Quando começamos a escrever este novo disco, queríamos fazer algumas colaborações, então simplesmente mandamos uma mensagem para ela e ela topou na hora. Tivemos muita sorte.

Jack: No dia da gravação só tínhamos umas quatro ou cinco horas. Quando chegamos, todos estavam com fome e comendo enquanto tentávamos encontrar algo sobre o que escrever. Foi então que ela mencionou que tinha uma melodia e uma frase: “something worth fighting for” (algo pelo que vale a pena lutar). Nós pegamos essa frase e todos pensamos: “Isso é bom!”. A música começou a se desenvolver a partir daí. Gravamos guias de voz e violão e depois cada um foi para seu lado. Fizemos nossa parte com os instrumentos e vocais, e a Katie gravou a parte dela em seu estúdio caseiro e nos enviou. Ela arrasou e o resultado ficou muito bom.

Mad Sound: Do início da carreira de vocês até agora, como descreveriam a evolução do som do Seafret? Quais foram as maiores influências e desafios nessa jornada musical?

Harry: Eu sinto que nossa música amadureceu ao longo dos anos. No primeiro disco éramos muito jovens, não tínhamos viajado nem experienciado nada além da nossa cidade natal. Ganhamos mais confiança na composição e na produção. A essência ainda somos eu e o Jack, mas vivemos muito mais.

Jack: No começo, havia um ponto em que queríamos que fosse apenas violão e voz. As pessoas na nossa cidade pequena nos diziam para não mudarmos se assinássemos com uma gravadora. Por isso, tínhamos um pouco de medo de perder o que as pessoas gostavam em nós. Levou um tempo para ganharmos confiança e começar a experimentar com diferentes produções. Mas, quando tentamos, vimos o quanto isso poderia adicionar a cada música. Agora, simplesmente seguimos o que a canção pede. No fundo, somos apenas compositores. Nunca nos limitamos apenas à música folk; é mais uma mistura de gêneros. 

Harry: Hoje em dia, analisamos faixa por faixa. Se a música precisa de algo, nós adicionamos; se não precisa, nós tiramos.

Mad Sound: Vocês têm uma base de fãs muito apaixonada aqui no Brasil, que aguarda ansiosamente o show de vocês em São Paulo. Quais são as suas expectativas e como é a sensação de se reunir com o público brasileiro?

Harry: É incrível. Nós sabemos que vai ser absolutamente fantástico. Os shows no Brasil são alguns dos melhores do mundo. Estamos muito animados para voltar e fazer uma festa. É como ter uma banda gigante porque todo mundo se envolve, ama e canta alto.

Jack: Lembro-me da primeira vez que tocamos aí, eu mal conseguia me ouvir cantar porque o público cantava tão alto. Pensei: “Isso é uma loucura!”. Agora temos monitores de áudio melhores, então é mais fácil.

Mad Sound: Vocês têm alguma história engraçada para compartilhar da última vez que estiveram no Brasil?

Jack: Sim! Quando terminamos o show, os fãs se aglomeraram na porta e não nos deixavam sair do local. Quando tentamos sair de van, carros começaram a nos cercar para nos fazer parar, tirar fotos e tudo mais. Eles estenderam um varal pela rua com camisetas do Seafret que eles mesmos fizeram, por todo o comprimento da rua. Aquilo nos surpreendeu completamente. Foi a primeira vez que vivemos algo tão intenso. Estar tão longe de casa e ver a felicidade de todos foi brilhante, muito legal.

Mad Sound: Olhando para o futuro, o que os fãs podem esperar do Seafret após o lançamento de “Five More Seconds” e a visita de vocês? Há planos para um novo álbum ou mais colaborações em breve?

Jack: Sim, tudo isso! Estamos trabalhando no novo álbum, que está praticamente finalizado, e vamos lançar mais músicas ao longo do ano, que levarão ao lançamento do álbum no início do próximo ano. Mais colaborações já foram gravadas, mas ainda não anunciamos com quem. Estamos super empolgados. Acho que pegamos as melhores partes de todos os nossos álbuns e as reunimos neste novo trabalho. Sinto que acertamos em cheio neste. E vamos testar algumas das músicas novas no show em São Paulo.

Harry: Será a primeira vez que alguém as ouvirá. Mal podemos esperar!

Mad Sound: “Five More Seconds” fala sobre a relutância em deixar um momento especial acabar. O que inspirou esse tema e como ele se conecta com a fase atual da banda, pessoalmente?

Jack: A música é sobre aquele momento tenso depois de uma discussão com seu parceiro ou alguém importante. Você sai e pensa: “O que eu estou fazendo? Estamos perdendo nosso tempo”. Dez minutos depois, você percebe o quanto ama aquela pessoa e que foi uma briga boba. É sobre tirar cinco segundos para se acalmar em vez de abandonar tudo. É sobre lutar um pouco e se esforçar, em vez de deixar para trás. Pessoalmente, acho que todo mundo já passou por isso. Geralmente, quando escrevo uma música triste, não estou triste naquele momento. Aconteceu no passado e levei um tempo para processar e transformar em letra. Se eu estivesse triste enquanto escrevia, estaria apenas chorando.

Mad Sound: O sucesso de “Atlantis” no Brasil foi gigantesco. Vocês esperavam essa recepção e o que, na opinião de vocês, faz essa música ressoar tanto com o público daqui?

Jack: Não tenho certeza do que faz essa música, em particular, ressoar tanto. No início, quase a tiramos do nosso setlist ao vivo porque era complicada de tocar. A produção de “Atlantis” era mais complexa do que qualquer coisa que tínhamos feito antes. Mas, sinceramente, não sabemos o que faz uma música estourar. De repente, nos disseram que éramos famosos no TikTok, e nós nem tínhamos o aplicativo. Baixamos o TikTok e nos vimos por toda parte, pensando: “O que está acontecendo? Essa é uma música de dez anos!”. Veio do nada. 

Harry: Mas isso nos deu confiança. Nós amávamos aquela música quando a lançamos, e o fato de ela ter tido seu momento dez anos depois mostra que, se você ama o que faz, deve lançar. Se não fizer sucesso agora, talvez faça no futuro.

Mad Sound: O processo de composição de vocês parece ser bastante colaborativo. Como funciona a dinâmica entre vocês dois ao criar uma nova música? A inspiração vem primeiro da melodia ou da letra?

Jack: Em 80% das vezes, o Harry tem uma ideia no violão e a toca. Ele sempre tem muitas ideias diferentes. Então, nós dois conversamos e trabalhamos juntos. 

Harry: É sempre a melodia primeiro. As decisões melódicas vêm antes da letra. Sempre fizemos assim, e sinto que funciona para nós.

Mad Sound: O último álbum de vocês, Wonderland of Greed, tem um título muito impactante. Qual é a principal mensagem que vocês buscaram transmitir com este trabalho e como as músicas se conectam a esse conceito?

Jack: O álbum é sobre nostalgia, sobre uma época em que você é mais jovem e não tem as preocupações de um adulto. É sobre crescer. Tínhamos aqueles momentos, como em férias em família ou em algum lugar na natureza, que eram de pura liberdade. Assim que você cresce, tudo começa a girar em torno de dinheiro e responsabilidades. O álbum é uma volta a esse tempo da vida em que tudo era incrível, algo que você não valorizava na época e agora gostaria de poder reviver. Músicas como “Pictures”, no final do álbum, falam sobre isso: capturar momentos com a mente, tentar estar presente para não perdê-los novamente.

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