O cantor Johnny Hooker se apresentou no último sábado, 22, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Com uma setlist recheada de hits, desde o primeiro álbum, Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar Maldito! (2015), até Coração (2017), e contando com seu último single “Escolheu a Pessoa Errada para Humilhar”, parceria do ano passado com Boss in Drama, o cantor transformou o teatro em um baile de carnaval inspirando dança e resistência. 

O público, em sua maioria, vestido em trajes carnavalescos, sabia que comparecer ao show de Hooker em um sábado de carnaval, seria o melhor jeito de terminar o primeiro dia da melhor época do ano, segundo muitos. 

O show foi iniciado pela intensa “Alma Sebosa”, o perfeito indicador de como a noite iria seguir: com uma performance teatral e magnética do cantor, que se apresentou em um figurino belíssimo e imponente, contando com ombreiras e brilho. No entanto, durante a parte final da apresentação, Hooker apareceu com uma nova roupa, dessa vez, azul claro, mas mantendo o brilho e surpreendendo a plateia, que, provavelmente, pouco achou que iria ver uma troca de figurino em um show que não pertence à alguma diva pop.

A apresentação contou com diversos momentos de falas de Johnny, agradecendo a presença de todos, se mostrando emocionado em várias ocasiões, como por exemplo, ao ver todo o público cantando seu último single na ponta da língua. Além de falar sobre seu maior ídolo: David Bowie, este que morreu em 2016, perto da época de Carnaval, e, para homenageá-lo, o cantor escreveu a emocionante “Poeira de Estrelas”. 

Mas, em sua maioria, os discursos de Hooker eram politizados, homenageando a região Nordeste, de onde o cantor é, homenageando Matheusa e Marielle Franco, gritando por sua presença com o punho para o alto, antes da inspiradora “Flutua”, e, por fim, descrevendo o Carnaval desse ano como o da resistência, inspirando à todos a serem livres e corajosos mesmo em tempos difíceis: “Eles podem matar uma rosa ou duas, mas não podem impedir a chegada da primavera!”, disse o cantor. 

A mistura de ritmos, desde o brega até o glam rock, e de sentimentos, desde a sede por vingança romântica, até o empoderamento através da certeza de nossa identidade, tudo performado por Hooker com um vocal impecável, e, de maneira tão vívida e apaixonada, transformou a apresentação em uma ode à sentir tudo de maneira intensa e presente. 

Contrariando a clássica “Todo Carnaval tem seu Fim”, do Los Hermanos, e mostrando que não existe uma única época para celebrar, com muita dança, sentimento e garra, o brilho de sermos quem somos. 

Veja abaixo fotos exclusivas de Mara Alonso.

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