Há dezenove anos ele não tocava essa música ao vivo. Mas na noite de terça-feira (25), horas depois de o mundo saber que Dolly Parton havia morrido aos 80 anos, Jack White abriu uma exceção. No palco do Eventim Apollo, em Londres, ele encaixou um trecho de “Jolene” no meio de “Dead Leaves On The Dirty Ground”, clássico do White Stripes.
A cena tem um peso simbólico específico. O White Stripes gravou sua versão de “Jolene” ainda em 2000, como lado B do single “Hello Operator”, e tocou a faixa centenas de vezes ao longo da carreira, superando em frequência até as próprias apresentações de Parton com a canção. O registro mais célebre ficou no filme ao vivo Under Blackpool Lights, de 2004. Depois do fim da dupla, White simplesmente parou de tocá-la. A última vez havia sido num show do White Stripes no Madison Square Garden, em 2007.
Antes de subir ao palco, White já havia se manifestado nas redes. Publicou uma fotografia em preto e branco de Parton com a legenda “Instant Sainthood”, “santidade instantânea”. Depois do show, ele e a Third Man Records, seu selo, dividiram um vídeo da apresentação acompanhado de um texto que resumia o que Parton representou para além da música: uma vida dedicada a doar, alfabetizar e socorrer comunidades inteiras, do projeto Imagination Library (que já colocou milhões de livros nas mãos de crianças) a causas de educação e assistência em desastres.
A relação entre os dois artistas, aliás, vinha de longe. Em 2016, Parton já falava publicamente sobre o carinho que tinha por White, elogiando a versão do White Stripes para “Jolene” e chegando a dizer que os dois fariam uma bela música juntos. Três anos depois, em entrevista à NME, ela brincou que ele vivia atrás dela tentando produzir um disco seu. A parceria nunca saiu do papel, mas o affair criativo ficou registrado em declarações como essas.
Parton morreu em Nashville após uma breve batalha contra um câncer, cercada pela família, segundo comunicado de sua equipe. Ela deixa uma obra que atravessou seis décadas e influenciou gerações inteiras de artistas, muito além do universo country.
