O primeiro texto do especial Mad Sound sobre K-Pop explicou como a redemocratização da Coreia culminou no surgimento de um novo gênero musical. O grupo Seo Taiji and the Boys revolucionou a música coreana moderna misturando o pop ocidental com os problemas sociais da Coreia do Sul. Eles mudaram o estilo, a imagem, a mensagem da música coreana e também a indústria em si.

Agora, como surgem os Idols e o K-Pop como conhecemos hoje? Senta que lá vem história.

Com a popularização de Seo Taiji, as gravadoras e agências de talentos começaram a se expandir e inovar no jeito de transformar um cantor em uma estrela. Obviamente, vendo a fanbase do grupo, os profissionais da indústria enxergaram uma grande oportunidade para lucrar.

Através de audições muito competitivas, os estúdios passaram a induzir crianças de 10 a 12 anos no regime K-Pop. Elas entravam em escolas especiais para terem aula de canto e de dança, aprendiam como lidar com o público e a se preparar para a vida de pop star. Quando a idade fosse suficiente, e se tivessem sorte, os estúdios colocariam as crianças em grupos Idols ou em carreira solo.

O parágrafo anterior poderia ter sido escrito no presente, porque é assim que a indústria do K-Pop funciona até hoje.

Por trás dessas escolhas, existe todo um planejamento e uma espécie de fórmula. Os grupos são sempre perfeitos e harmoniosos e possuem, pelo menos, cinco membros. Todos eles com papéis específicos. O cantor, o rapper e o dançarino, por exemplo. Tem também o maknae, o mais novo do grupo. E sim, esse é o papel dele. É como se um grupo Idol fosse a Liga da Justiça, cada um com um superpoder próprio.

Mesmo sendo diferentes, há semelhanças que todo Idol deve ter. Eles precisam ostentar uma imagem limpa, serem gentis e educados, não podem se envolver com drogas ou escândalos. Apesar de o “amor” ser um tópico importante nas letras, os ídolos não podem falar abertamente sobre isso. Eles precisam sustentar a ideia de que estão sempre disponíveis para os fãs, feitos só para eles.

Todo esse controle sobre os artistas cria um padrão para a indústria, mas também um ambiente notoriamente explorativo. Fica difícil saber se essa vida de estúdio não cruza a linha do abusivo. Os performers regularmente assinam contratos longos, conhecido como “contratos escravos”, por exemplo.

Os estúdios também se tornaram lugares de comportamento predatório e assédio. Isso fez com que muitos deles concordassem em uma reforma de contratos para mudar essa realidade. Ainda assim, como o suicídio de Kim Jong-hyun, em 2017, revela, as pressões dessa cultura são raramente tornadas públicas e podem ser prejudiciais para os que crescem no sistema.

Apesar disso, a vida de uma estrela K-Pop é cobiçada por milhares de crianças e adolescentes coreanos. Audições para levarem candidatos para os programas de treinamento acontecem frequentemente na Coreia do Sul e em Nova Iorque.

Depois que um grupo Idol é montado, então, os estúdios geram músicas pops, fazem propaganda e os colocam na TV. Tudo isso para determinar quando eles farão seu “comeback” – termo que marca o próximo lançamento do grupo, que geralmente traz consigo um novo conceito temático.

Lembrando da Hallyu, ou Onda Coreana, é claro que a indústria mira esses grupos para o mercado exterior. Há pistas dessa estratégia internacional até nos nomes dos grupos: são quase sempre siglas, para que não haja necessidade de tradução para outras línguas.

Além disso, os clipes são sempre superproduções caríssimas com cores fortes, figurinos extravagantes, coreografias fantásticas e cenários intricados. Esses vídeos são grande parte da força do sucesso do K-Pop ao redor do mundo.

Musicalmente, ainda que a maior parte das letras sejam cantadas em coreano, é difícil achar músicas que não tenham alguma frase em inglês. Isso faz com que as faixas se tornem cativantes e “grudentas”, além de permitir que sejam cantadas em qualquer lugar do mundo.

Outra parte chave da fórmula é o mashup de gêneros musicais. Na mesma música, podemos achar elementos do hip-hop, do pop rock, do EDM e de praticamente todos os gêneros relevantes para o momento. São quebras de tempo e mudanças de batidas constantes que tentam criar um produto único, mas ao mesmo tempo conquistar todo o tipo de público.

Como deu para perceber nos shows do BTS que aconteceram nos dias 25 e 26 de maio em São Paulo, a estratégia deu certo. Para entender o tamanho da Onda K-Pop no mundo e conhecer os maiores Idols atuais, acompanhe o nosso especial aqui no Mad Sound.

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