Em sua segunda edição, a produção do C6 Fest trouxe mudanças em relação ao espaço e funcionamento do festival. Mantendo o esquema de compra de ingressos por palcos, a preocupação pareceu ser mais com a “cara” do evento do que com a funcionalidade de fato.

A programação começou na sexta-feira, com apresentações exclusivas dentro do auditório do Ibirapuera, com foco em jazz e música clássica. A divisão de palcos e espaços de acordo com a necessidade e “atmosfera” das apresentações é algo que o C6 Fest sabe fazer. Quase melhor do que qualquer outro festival de música em São Paulo hoje. 

Conscientes do tamanho do festival e da bolha que o frequenta (hoje em dia centraliza-se em influencers, creators, e pessoas com condição financeira bem acima da média da cidade), cada palco tem sua particularidade. Desnecessário apontar o cuidado estético do festival. O show do Black Pumas e Daniel Caesar no lado externo do auditório, por exemplo. Sem falar no aguardado Baile Cassiano, valeram os dois dias de festival. Não só pelas performances absurdas de cada grupo, mas também pelos visuais projetados nas estruturas do auditório.

Alguns obstáculos no C6 Fest

Por outro lado, a Tenda Metlife exigia que o público no auditório, saísse do festival e andasse pelo parque para entrar no festival novamente. É um reflexo de que ideias criativas devem ser também funcionais. O caminho entre um palco e outro às vezes custava uma ou duas músicas de um show. Outro problema, como na última edição, foram as árvores que tapavam a vista do palco na Tenda Metlife.

Para shows maiores na tenda, como Pavement, via-se buracos não ocupados no espaço interno enquanto pessoas se amontoavam do lados de fora. Todos buscando um spot perfeito para curtir a banda. A apresentação do Pavement foi maravilhosa com hits como “Harness Your Hopes” e “Cut your Hair”, cantadas em coro. 

Para os shows menores, como Jaloo e Gaby Amarantos no sábado, 18, a estrutura e produção deixaram a desejar: microfones altos demais, palco vazio com as laterais abertas, luz do parque invadindo a cenografia das performances, e horários mal distribuídos dentre as apresentações não passaram despercebidos.

Falando nisso, vale ressaltar o que já foi dito nesse site uma ou duas vezes em resenhas escritas por mim: Um bom lineup não faz um bom festival. Para um público tão seleto quanto os que frequentam o C6 Fest, a estratégia de horários por gênero é falha, uma vez que amantes das bandas que se apresentaram nos dois dias de festival provavelmente gostariam de ver (quase) todas as bandas se apresentando, se houvesse possibilidade. O resultado? Palcos mais vazios, artistas não tão confortáveis, e o esvaecimento da “vibe” brasileira em shows. 

Sem tanta animação, salvo três ou quatro performances ao todo (Pavement, Black Pumas, Raye, e Romy), o C6 Fest está na mira do coração dos fãs de festival da Gotham Brasileira, mas tem, ainda, questões a serem retratadas com o público antes de se consolidadar como um dos melhores festivais da capital paulista.

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