No último domingo, 8, estivemos no Fabrique na zona oeste de São Paulo, para conversar com a banda Violet Soda e assistir ao show de lançamento do primeiro álbum deles, autointitulado. O evento contou com abertura das bandas Miami Tiger, Putz e The Mönic.

O grupo, formado em São Paulo por Karen Dió, Murilo Benites, André Dea e Tuti AC, conversou com a gente antes de subir ao palco. Confira o papo na íntegra:

Mad Sound: Hoje é o lançamento do primeiro álbum da banda. O processo de composição de um álbum é diferente do processo de um EP?

Murilo: Cara, é diferente sim. Quando a gente começou a compor, a gente sabia que já tava na hora de fazer um álbum. Nos EPs, a gente tinha algumas opções de música que a gente fechava e já gravava, mas agora quando começou a composição, a gente já sabia que ia para o disco, então de alguma forma isso influenciou. Eu não sei até que ponto, mas foi pensando no disco sempre. Porque se a gente vai se propor a fazer um disco, hoje em dia, tem que ser uma coisa uniforme… Que converse e tenha uma identidade e foi isso que a gente tava buscando nesse momento. Por isso a gente lançou o disco.

André: É um processo mais demorado que o EP também. É um negócio que a gente teve que ficar mais tempo produzindo, compondo no estúdio. A grande diferença, acho que é essa.

MS: Vocês acabaram de lançar o clipe de “Girl!”, como foi a experiência de usar o chroma de novo, mas de uma maneira diferente do clipe de “Candyman”?

Murilo: Foi o mais fácil de todos [os clipes]. Só não foi mais fácil do que o que a gente não aparece, que é 100% animação. Mas fora esse, foi o mais fácil de gravar.

Tuti: Esse clipe foi feito pelo Vinny, que é um grande amigo nosso e já trabalha com a gente tem um tempinho. Ele fez pensando em ser um motion áudio que a gente faz sempre, mas ficou tão legal que a gente falou “Meu, vamos transformar num clipe!”. Aí que o chroma entrou, porque a gente achou que precisava ter imagens nossas tocando e tal. Esse foi um dos primeiros que ele fez e a gente atrasou [o lançamento] por isso.

MS: Vocês mostram a cidade de São Paulo em alguns clipes, qual a importância da cidade para a Violet Soda?

Tuti: A cidade fez com que a gente se encontrasse. Acho que é importantíssimo.

André: Nenhum de nós é natural de São Paulo, pra começar. Tuti é de Americana, a Karen nasceu em Guarulhos, mas foi criada em Santos, Murilo é de Maringá e eu sou curitibano. Então a gente se encontrou aqui e é isso.

Murilo: E o mais legal é que todos nós viemos de lugares diferentes, mas todos viemos pra cá com o mesmo intuito: tocar e viver de música. Cada um foi fazendo paralelamente seu corre pra chegar nesse momento e todo mundo se encontrar, fazer uma banda e começar.

MS: Com todas as composições da banda em inglês, alguém já pediu pra vocês gravarem em português?

Murilo: Já pediram e pedem bastante. Mas é algo que não é uma regra, desde o começo da banda nunca rolou “só vamos compor em inglês”. É só uma parada muito natural mesmo, instintivo, de fazer em inglês por conta das nossas maiores influências serem em inglês. Mas nunca foi algo “não vamos fazer português nunca”, pode ser que role… pode ser que não.

Tuti: Podia ser um enigma isso…

Murilo: Pode ser que role, pode ser que não… Vamo vê…

MS: A música de vocês tem forte influência na década de 90. Sendo assim, cada integrante pode escolher UM álbum que favorito dos anos 90?

Murilo: Nevermind!

André: In Utero

Karen: Blue Album… ou o primeiro do Foo Fighters, que não tem nome.

André: Dookie também briga bem!

Tuti: O meu é… Qualquer um dos Racionais dos anos 90.

MS: Vocês têm alguma parceria ou colaboração que queiram fazer?

Murilo: Temos vontade de fazer com muita gente, sim. É uma coisa que estamos tentando maturar para esse ano. Uma das próximas faces da banda, sabe? A gente quer fazer e tem contato com bandas não só aqui do Brasil e a gente quer fazer esse intercâmbio. Mas é uma ideia muito embrionária ainda, que a gente quer fazer pra esse ano alguma coisa de lançamento… Vai ser isso, se for rolar.

MS: Como está sendo a tour de lançamento do álbum?

(Anteriormente, no fim de semana desse show, domingo dia 8 de março, eles tinham tocado na sexta, seis, em Santa Catarina e no sábado, 7, no Paraná)

Karen: Vai ter Jundiaí, Rio de Janeiro… Estamos vendo em Piracicaba, Brasília, Goiânia… 

Murilo: A gente acabou de começar a tour do disco, então a gente quer rodar o Brasil.

(A banda toca em Jundiaí, dia 21 de março, em Santos, dia 3 de maio, no Rio de Janeiro, dia 21 de junho e em Maringá, 15 de agosto. Acompanhe a página deles no Facebook para demais datas que forem confirmadas!)

MS: O lançamento do álbum em SP rola bem no Dia Internacional da Luta das Mulheres. Como é ser uma mulher na cena de hoje do rock brasileiro, Karen? Está melhor do que já foi? Você que já tem um tempo na cena, como está hoje? Hoje, inclusive, com bastante banda de mulheres tocando aqui…

Karen: Isso. Só banda com mulheres. Com certeza há uma melhora e isso que me deixa muito feliz. Hoje está sendo um dia lindo, principalmente por ser o Dia Internacional das Mulheres.

Mas sim, há um melhora e a intenção é essa sempre: evoluir. E os homens estão entendendo que a gente sempre fez parte disso, não é uma coisa que tá surgindo agora. A gente só não era vista. Mas eu acho que tá melhorando muito. É muito massa, por exemplo, hoje está um evento de casa cheia, só com banda com mulheres – que não é banda de mulher, é banda com mulher. Então com certeza há uma evolução e a gente tá muito feliz com o evento de hoje.

O SHOW:

Com ingressos esgotados, a banda subiu ao palco faltando pouco para às 21h e fez o público, que já estava pulando durante todos os shows anteriores, se incendiar de vez.

O álbum, que saiu em dezembro de 2019, já estava tão na ponta da língua dos fãs quanto as músicas dos primeiros EPs da banda, Here We Go Again e Tangerine,ambos de 2018.

As guitarras distorcidas de Karen e Murilo começaram agitando o público com “Charlie”, música que também abre o álbum. Logo depois eles já mandaram ver com “Candyman” (do segundo EP – e favorita de quem vos escreve).

Mas a noite estava só começando e ainda tinha muito mais pra rolar: além da presença de palco (e pista – sim) absurda da vocalista, as participações de Isa Salles (Scatolove), Emmily Barreto e Cris Botarelli (Far From Alaska), colaboraram para deixar a noite ainda mais do que especial.

Cada uma participou de uma música, e quando Cris Botarelli assumiu a guitarra de Karen, a vocalista se jogou na galera. Literalmente. Utilizando uma bóia em formato de fatia de pizza, ela navegou por cima da galera e depois ainda pediu para abrirem um corredor na pista, onde desceu, cantou e fez a galera ir ao delírio por estar tão perto de todos.

O único momento do show em que pararam de pular foi no que a própria Karen chamou de “nossa música triste”, a balada da noite “What Do I Do”, que só contou com o casal Karen e Murilo no palco, numa das cenas mais lindas da noite, devidamente iluminada pelos celulares do público.

No final do show, todas as convidadas voltaram ao palco e participaram de “Tangerine”, que fechou a noite com chave de ouro, deixando a certeza que essa banda, com pouco mais de dois anos, ainda vai oferecer muitos momentos inesquecíveis aos fãs. Esse foi só o lançamento do primeiro álbum.

Veja abaixo fotos exclusivas do evento feitas por Mara Alonso.

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