A artista carioca Ana Frango Elétrico desembarcou em um espetáculo na Casa Natura em São Paulo, nesta quinta-feira, 09. 

A turnê do álbum Me Chama De Gato Que Eu Sou Sua estreou em novembro de 2023 em Portugal, se prolongando por mais seis países da Europa. O terceiro álbum de estúdio da cantora conta com um repertório que mescla referências brasileiras dos anos 70 e 80, e um toque da sonoridade de artistas internacionais que vão de Michael Jackson à city pop japonesa.

Com um curto atraso de 15 minutos, as cortinas da Casa Natura se abrem para Ana Frango Elétrico e sua banda. Pedro Dantas (baixista), Tomás Jagoda (tecladista), Pablo Carvalho (percussionista), Vovô Bebê (guitarrista) e Sérgio Machado (baterista). Luz baixa marcando apenas a silhueta dos integrantes e “Let’s Go To Before Again” – Em estúdio a música produzida pela artista envolve uma fala de Gilberto Gil em seu documentário (Gilberto Gil | Doc Eclats Noirs du Samba | 1987) em uma conversa com Caetano Veloso: “É a revelação estética e de costumes, que o tropicalismo provocou, é o que dá a possibilidade dentro de política alternativa no Brasil, e é onde eu quero seguir.” 

A artista ou o artista, como preferir, dispara subjetividade dentro do cenário que a acolhe. Ana caminha por uma linha que se estende a um amor fora do padrão e a viagens que imergem nas décadas da música brasileira, tornando sua obra atemporal. 

A vocalista dá sequência com “Coisa Maluca”, o público se retrai apenas até o primeiro refrão e logo em seguida já cai no embalo. “Boy Of Stranger Things” traz toda a atmosfera pop e rapidez dos instrumentos junto de sua voz mais lânguida em inglês.  “Debaixo do pano”, música original do Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, possui um tom divertido e dançante, remetendo ao pop dos anos 80 no cenário nacional, mas que por sua vez torna seu toque enigmático muito fresco. 

Não demorou para que as mais íntimas chegassem, “Camelo Azul” foi escrita pelo compositor Victor Conduru especialmente para Ana solenizar todos os seus lados. Cantada em um fundo azul e luzes que se cruzam a iluminando, a carioca realiza performance um pouco mais retraída, ao contrário do público que a ovaciona assim que é tocado o último acorde da canção. 

“Insista Em Mim” muito provavelmente é a mais esperada da noite, é o destaque de Me Chama De Gato Que Eu Sou Sua. A faixa amarra o conceito do álbum em pouco mais de três minutos, a voz acompanha perfeitamente todas as camadas da faixa, que começa desacelerada e cresce exponencialmente junto dos arranjos.  Ana explora o samba em “No Bico Do Mamilo”, música do Mormaço Queima (2018), seu primeiro álbum de estúdio, lançado quando ela tinha apenas 20 anos de idade. A variedade de gêneros musicais preenche as dúvidas de quem não entende a maluquice da Ana Frango. 

Joca entrou no palco para estrelar junto da banda, o artista é responsável pela parceria em “Dela”, uma mistura de rap com um toque experimental de Ana em sua controladora. Joca ainda cantou “Nimbo” e “Breve”, seus  singles autorais. “Breve” ganhou um solo do baixista Pedro Dantas, que contribuiu nos arranjos mais envolventes. A banda toda trabalha em perfeita sincronia, compondo as texturas sonoras que elevam a experiência no ao vivo. 

Quase no fim, Ana agradece e comenta sobre sua timidez, informa que não vai ter bis e que é bom aproveitar o que resta do seu show. O último ato sequenciou “Não Tem Nada Não” do Marcos Vale com “Gypsy Woman” da Crystal Waters, e não é preciso nem questionar se a mistura de gêneros funcionou. 

Uma artista como nenhuma outra, ela exagera em metáforas de amor, e lembra os nossos mais amados e eternizados cantores, assim como em “Mulher homem bicho” onde sua voz se assemelha a de Rita Lee. Promissora em produções musicais de artistas que irão surgir e os que já estão por aqui. A música popular brasileira herda e celebra as obras de Ana Frango Elétrico. 

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